Reflexões

Eu tinha seis anos de idade quando meus pais me disseram, alegres: Nós vamos para os Estados Unidos! Eu não sabia direito onde era aquele lugar, mas pelo jeito com que eles falavam só podia ser um lugar muito bom. E longe. Isto foi no milênio passado, ainda na pré-história de minha vida. Na época minha mãe, Maria de Lourdes, era professora de inglês no colégio Inácio Montanha, em Porto Alegre e, depois de concorrer com professores de toda América do Sul foi premiada pela Fulbright Commission com uma bolsa de estudos de oito meses nos Estados Unidos, cuja finalidade era promover o aperfeiçoamento do ensino da língua inglesa em outros países.

Minha mãe foi alguns meses na nossa frente e também voltou depois, mas, em dezembro daquele ano, meu pai tirou férias e lá fomos nós dois ao seu encontro. Vinte e quatro horas de viagem de Porto Alegre a Nova York, com escalas no Rio e Trinidad a bordo do Super Constellation da Varig. Depois outro vôo pela Eastern, com escala em Washington até Memphis. E mais um pela American, com escalas em Little Rock e Dallas até Austin, onde ela estudava, na University of Texas. Ufa!

Aquela foi minha primeira viagem internacional. Mesmo não tendo idade suficiente para apreciar como devia aquele passeio (com seis anos a gente às vezes nem entende direito o que está acontecendo à nossa volta), os quase dois meses entre Texas e California marcaram minha infância de tal forma que nunca deixei de sonhar em um dia voltar a viajar para o exterior e conhecer outras terras.

Mesmo assim trinta anos se passariam antes desse dia chegar, e foi somente depois de adulto que voltei a viver aquela mesma emoção, a bordo de um Boeing 767 da Varig, sentindo a cabine estremecer com a potência total das turbinas enquanto o avião vencia a pista do Galeão, decolava e subia lentamente, sabendo que aquela maquina maravilhosa me levaria, em poucas horas, a um outro país, outro mundo.

Agora eu não tinha mais seis anos, compreendia tudo o que se passava à minha volta, e estava firmemente determinado a aproveitar cada minuto, cada lugar, escrever sobre tudo que encontrasse pela frente, fotografar, filmar, conhecer pessoas, me misturar aos povos de cada terra a ser visitada e, se possível, também trazer comigo um pedacinho de cada um dos lugares por onde iria passar.

Antes disso já havia tido a felicidade de encontrar Regina, a companheira ideal, amiga e namorada perfeita, sempre alegre, animada, partilhando planos, dando idéias, transmitindo confiança, e que logo se tornou minha cúmplice nestes projetos de conhecer o mundo. Com certeza nenhuma destas viagens teria sido o que foi, ou provavelmente nem sequer acontecido, sem sua presença ao meu lado.

Regina e eu já estávamos juntos há três anos, quando decidimos fazer nossa primeira viagem. E foi minha tia Gelcy quem, numa brincadeira inspirada, batizou o evento, ao dizer que aquela seria nossa Lua de Mel. Assim foi dito e assim foi feito. Nossa lua de mel foi numa excursão à Europa, a bordo de um ônibus da Juliá Tours. O roteiro foi algo tipo quinze paises em trinta dias, ou qualquer coisa semelhante.

Foi cansativo? Sim. Foi corrido? Com certeza! Foi bom? Não, de jeito nenhum. Na verdade foi maravilhoso!!!! Impossível descrever a sensação de ver a Torre Eiffel de perto pela primeira vez, adentrar o Coliseu, percorrer os canais de Veneza numa gôndola, assistir um espetáculo de som e luz no Parthenon de Atenas. Ou então simplesmente sair a caminhar à noite de braços dados, por uma rua qualquer, em uma cidade qualquer, não entendendo nada que os outros falam à nossa volta, não conhecendo ninguém, quase perdido, mas ainda assim, sentindo-se inexplicavelmente integrado àquele lugar e plenamente feliz naquele momento.

O resultado destas viagens, de experiências deste tipo é invariável. Faz a gente desembarcar no aeroporto de volta já pensando quando e para onde será a próxima viagem. É algo absolutamente viciante, e parece proporcionar um prazer acumulativo, sempre renovável. É a melhor das drogas, com a vantagem adicional que esta é saudável e abre nossas mentes para coisas boas e construtivas. Como muito bem disse a escritora Martha Medeiros, “viajar promove a independência e a responsabilidade. Amplia nossos limites. Traz alegria e novidade para o cotidiano. Reforça nossa bagagem cultural. Dá parâmetro para comparações” . 

Mas tudo começa bem antes, no planejamento de uma viagem. Ah, o planejamento!... Angustiante e delicioso, excitante e desafiador. Temos tentado adotar a fórmula de, a cada viagem, procurar ver o máximo possível de tudo que está em volta, ou ao longo de nosso caminho. É claro que isto nunca é possível, mesmo assim começamos estabelecendo um ponto de partida e um destino final e traçando o roteiro entre estes dois extremos, como aquele antigo joguinho infantil de ligar os pontos com um lápis.

Nestas horas lembramos sempre da história do sujeito com frio e que dispunha somente de um cobertor curto. Ou ele cobria a cabeça e deixava os pés de fora, ou tapava os pés e sentia frio na cabeça. É mais ou menos a mesma sensação que sentimos quando vemos que ao longo do roteiro planejado vamos passar próximos a tantas localidades bonitas, históricas, excitantes, convidativas, cênicas, turísticas, movimentadas, esquecidas, bucólicas, imperdíveis, inesquecíveis etc etc e que se fossemos parar e visitar cada uma delas precisaríamos ficar dois anos viajando. Alguma coisa – muita coisa na verdade – sempre fica de fora, com a desculpa e o consolo de que, na próxima vez voltaremos lá e conheceremos aquela cidade, vila, castelo, museu pelo qual passamos tão perto, mas que não deu tempo de visitar.

E as dúvidas na hora de planejar uma viagem? Qual a melhor forma de percorrer este roteiro? De ônibus, trem ou carro? Vamos de excursão ou por conta própria? Vamos alugar um carro ou fazer um leasing? O que sai mais barato? O que nos dá mais liberdade? Vamos conseguir nos orientar em terras estranhas sem nos perdermos? O lugar é seguro? Falam inglês? Onde encontrar bons mapas? Vamos reservar um hotel? Ou vamos sem reserva e paramos pelo caminho quando der vontade? Quais os hotéis ou motéis confiáveis? Quais os bons? São baratos? Quanto tempo ficar neste local? E naquele outro? Dois dias é muito? Cinco dias é pouco? Uma tarde é suficiente? O que é imperdível naquele lugar? No que não vale a pena perder tempo naquela cidade? A reserva foi confirmada? Os bilhetes foram emitidos? Lugares marcados? Precisa vacina? A nossa ainda está dentro da validade? Pagamos o condomínio? As contas estão todas no débito automático? Desligamos a luz? Já deixamos a chave da casa com o vizinho? Pedimos para ele molhar as plantas? O quê? O táxi já está lá embaixo nos esperando?!?

Na ânsia de não deixar nada ao acaso e nem nada para a última hora, o planejamento de nossas primeiras viagens costumava ser algo como os planos para desembarque das tropas aliadas na Normandia no dia D, ou então como a primeira viagem do homem à Lua. Mesmo assim, e apesar do friozinho na barriga que sempre sentimos com a aproximação da data de embarque, a verdade é que todos estes planos e preparativos são absolutamente deliciosos, e parecem antecipar o prazer e as alegrias que vem pela frente. Afinal de contas, como se diz por aí “O melhor de uma festa é esperar por ela”.

Hoje já não ficamos mais tão ansiosos com estes planejamentos, pois já estamos mais experientes, e mesmo porque a Internet está aí com todas suas ferramentas fantásticas para facilitar o planejamento de uma viagem. Praticamente qualquer lugar do mundo tem um site com informações turísticas. Hotéis tem páginas com fotos, informações, preços e localização. Blogs e sites diversos dão depoimentos e informações sinceras sobre qualquer lugar, inclusive com recomendações, conselhos e dicas. Órgãos oficiais e informais de turismo permitem que se colete informações online sobre praticamente qualquer lugar. Google Earth e Google Maps fazem a gente visualizar todo um roteiro e mesmo cada rua de cada cidade antes mesmo de chegar lá. E um fantástico aparelhinho chamado GPS permite que se atravesse ruas, cidades e países inteiros com a segurança de quem conhece aqueles lugares como a palma de sua própria mão.

Mesmo assim, com todo o fascínio que uma viagem oferece e com tantas facilidades à disposição de todos, ainda ouvimos pessoas dizendo que viajar é uma bobagem, uma perda de tempo e que não vale a pena. Com certeza quem fala ou pensa assim ainda não teve a oportunidade de passar por esta experiência e fala do que não conhece.

Junto com as lembranças de nossas viagens sempre vieram muitas fotos, negativos, livretos, postais, filmes, souvenires, livros, brochuras, mapas, e ainda xampus de hotéis, chaveirinhos, imãs de geladeira, menus de restaurantes, passagens de trem, entradas de museus e toda uma parafernália de acessórios arrebanhados ao longo dos passeios, a pretexto de trazer lembranças. É como se tudo aquilo servisse para trazer para casa, para bem junto da gente, um pouquinho de cada local visitado. Juntando as peças deste quebra cabeças forma-se a imagem de uma viagem, a história completa de um passeio, dia a dia, e é fascinante relembrar e reviver aquilo tudo.

Mas de alguma forma, em algum momento, começou a surgir a idéia de também registrar estas aventuras de outra maneira, de um jeito mais amplo, e que pudesse ser mostrado não somente para parentes e amigos, mas também para quem mais se interessasse pelo assunto. Coincidentemente, mais ou menos na mesma época começava a surgir a Internet...

A paixão pela fotografia foi determinante para a coleta de tantos registros de viagens. Foi minha avó Chiquita, também na pré-história de minha vida, quem me abriu os olhos para os encantos desta arte. Num distante Natal ela me presenteou com uma câmera Kodak Rio-400. Era uma maquininha pequena, simples, eu geralmente usava um filme com doze poses – o filme era caríssimo - o que me obrigava, antes de cada click, a decidir o que valia mesmo a pena ser fotografado. Quando o filme terminava – o que às vezes demorava semanas – eram mais três dias de espera para revelar e imprimir as fotos preto e branco, tamanho 9 x 9. Mesmo assim eu ficava fascinado por aqueles resultados e principalmente pela possibilidade de guardar imagens de lugares bonitos e momentos agradáveis.

Muito mais tarde, a popularização da informática trouxe também outra paixão. Agora eram os computadores, placas, memórias, softwares, tratamento de imagens, edição de vídeos, comunicação e transmissão instantânea de dados e acima de tudo a possibilidade de acessar, do conforto de nosso quarto, qualquer lugar do mundo. Ver lugares, se informar, falar com pessoas, ver o que elas tinham a dizer e – porque não? - Também dizer alguma coisa para quem quisesse ouvir. Que tal colocar alguma coisa – qualquer coisa – na Internet, só para ver como é que fica? Mas o que colocar na Internet? Sobre o que escrever?

A receita sobre o que colocar na Internet surgiu de forma natural. Simplesmente juntar as três coisas que tanto gostávamos: Viagens, fotografia e informática, unidas por uma pitada de textos. O conteúdo daquele embrião de site, que tinha imagens de qualidade duvidosa distribuídas em poucas páginas, era bem modesto, para dizer o mínimo. Ao lado de cada imagem, um texto limitava-se a dizer algo como: “Nós dois em frente ao Pão de Açúcar”, ou então “Passeando pela Cidade Luz”. Mesmo assim, cerca de duzentas pessoas tiveram a coragem (ou azar) de acessar o site “Reg & Doug” em seu primeiro mês de existência.

Com o tempo surgiu outra idéia: Porque não ir mais fundo e criar um site não somente como um registro banal de viagens, mas sim como alguma coisa mais completa? Porque não soltar o verbo, dizer o que nós pensamos e sentimos em cada lugar, colocar impressões pessoais, dicas turísticas, fazer na Internet o que a gente faz quando conta para os amigos como são nossas viagens? Falar de uma forma simples e objetiva. Escolher as imagens mais representativas que fizemos em cada local e colocá-las numa página. Juntar estas imagens a textos enxutos e informativos, de forma que não somente nossos passeios ficassem registrados, mas que estas informações também fossem úteis a outros viajantes, fossem eles reais ou virtuais, ou a quem desejasse fazer somente fazer pesquisas? Surgia então a idéia do Viagens & Imagens.

A esta altura, já com a ajuda de uma Nikon e com conhecimento mais aprofundado em informática, a coisa começou a tomar forma. Saímos do provedor gratuito que enchia as páginas do site com irritantes propagandas e pop ups e registramos o domínio. O desafio era grande, o tempo disponível era pouco, mas a empolgação era imensa e a idéia começou a se concretizar. Juntamos à receita original - Viagens, fotografia e informática - uma boa dose de dedicação e pesquisa, e em 1999 lançamos o Viagens & Imagens.

O interessante neste tipo de atividade é que ela não termina nunca. Você melhora algo, ajusta uma página, acrescenta um texto aqui e logo aquela outra página fica destoando das outras, fica ruim, e precisa também de um upgrade. É necessário reescrever, mudar imagens, atualizar dados. E também não esquecer de acrescentar as últimas informações, incluir recursos, modificar links, atualizar scripts... Frequentemente entro madrugada adentro fazendo isto, sem fome nem cansaço, e somente quando paro percebo o corpo reclamando.

Ao mesmo tempo algo curioso acontece no processo de criação do Viagens & Imagens: Montamos cada página somente depois de já termos visitado um determinado local, já com as fotos trazidas de viagem. Depois incluímos nossas impressões e dicas resultantes desta visita, procurando criar um texto coerente, com início, meio e fim. Neste processo incluímos também o resultado de pesquisas complementares que fazemos após voltar para casa, em livros e publicações diversas, de forma a tornar a página o mais informativa possível. O resultado é que freqüentemente, ao estar finalizada a página sobre uma localidade, terminamos sabendo mais sobre este lugar do que sabíamos ao sair de lá. É uma sensação gratificante do ponto de vista criativo, mas também frustrante do ponto de vista pessoal, pois acabamos com a sensação que - agora que já sabemos tantas outras coisas a mais – temos que voltar lá para poder aproveitar melhor o que vimos na primeira visita...

Reconhecemos também que não há uma uniformidade de conteúdo entre as páginas. Algumas são bem mais informativas e completas que outras, o que é decorrência de já termos visitado alguns lugares diversas vezes, enquanto outros foram visitados somente uma ocasião. Outro motivo é que as paginas de menor conteúdo geralmente são mais antigas e ainda não sofreram o upgrade que desejamos estender a todo o site. Com o tempo, porém, pretendemos melhorar e aprofundar o conteúdo de todas as páginas.

Outra dúvida que tivemos ao criar o site foi sobre qual seria a forma ideal de apresentar este material. Criar páginas de jornadas completas, do primeiro ao último dia de viagem, com as impressões pessoais sobre cada local visitado, como se fosse um diário de viagem? Ou criar páginas independentes para cada lugar, sem se preocupar em seguir um roteiro? Decidimos pela segunda opção, pois nos pareceu que assim cada cidade ou local poderia ser consultado de forma direta e independente, enquanto diários de viagem podem se tornar uma leitura um pouco cansativa. Além do mais desta forma quem estiver interessado em montar um roteiro poderá ler somente as páginas que lhe interessam, sobre os lugares que pretende visitar.

Alguns amigos sugerem que sejam incluídos no site banners de propagandas e anúncios justificando que com estes links comerciais poderíamos obter algum lucro financeiro. Afinal de contas o Viagens & Imagens tem cerca de 23 mil exibições de página por dia e isto tem algum potencial de lucro. A idéia sem dúvida é tentadora, mas a verdade é que não queremos transformar o Viagens & Imagens num balcão de negócios. Um dinheirinho extra certamente seria bem vindo, mas ainda preferimos nos manter fiéis à idéia original, ou seja, simplesmente incluir fotos, textos, escrever sobre o que gostamos ou não gostamos, recomendar lugares, dar dicas e registrar nossas impressões sobre lugares onde já estivemos, sem qualquer interesse ou compromisso comercial. Desejamos apenas registrar aqueles momentos e ser uma fonte adicional de consulta e informação para novos viajantes, seja eles reais ou virtuais. Romantismo fora de época? Falta de visão comercial? Talvez. Mas nós somos mesmo românticos e com certeza seríamos um desastre como comerciantes. Enquanto as finanças permitirem, e as despesas com provedores estiverem dentro de limites aceitáveis o Viagens & Imagens permanecerá totalmente livre de pop-ups, banners comerciais e propagandas, além de smoke free, ecologicamente correto etc etc.

Como agradecer todas as mensagens de incentivo e de carinho que já recebemos? Como responder àqueles que nos dizem que nós lhes proporcionamos bons momentos, revendo lugares já visitados ou então que as informações do site foram essenciais para o sucesso de um passeio ou uma lua de mel? Já recebemos também mensagens dizendo que graças aos emails deixados no Guest Book boas amizades foram feitas, pessoas passaram a se corresponder regularmente e até se visitaram em outros países. Recebemos ainda mensagens de professores de pequenas escolas, que utilizam as informações do site para mostrar aos seus alunos, através da Internet, como são os outros lugares do mundo. Recebemos também convites para visitar esta ou aquela cidade, alguns até mesmo oferecendo acomodação quando chegássemos lá, como se fôssemos seus velhos conhecidos ou grandes amigos.

E também tem o caso daquele músico que se inspirou no texto que escrevemos sobre um castelo medieval visitado na Inglaterra, compôs e gravou uma música e ainda mandou o CD de presente para a gente. Pessoas de todos os lugares, que nos mandam suas próprias fotos, textos, sugestões de roteiros, desenhos, pedem opiniões, dão dicas, corrigem nossos enganos, atualizam informações e contribuem de todas as formas.

E ainda a criança que nos enviou um desenho de castelo, inspirada no que escrevemos, dizendo que tinha sonhado com aquele lugar. Como reagir, agradecer ou retribuir a isto? Nunca pensamos que um dia o Viagens & Imagens poderia ser útil desta forma, e temos vontade de conhecer cada uma destas pessoas. Acreditem, suas mensagens são a melhor recompensa que poderíamos receber pelo nosso trabalho e lamentamos não poder retribuir como gostaríamos o carinho que temos por todos, e falar da emoção que estas mensagens tem nos trazido.

Bem... também tem aquelas pessoas que nos escrevem, não com críticas construtivas - sempre bem vindas - mas para ofender gratuitamente, até mesmo com rancor. Fazer o que? Apagamos estas mensagens e não pensamos mais no assunto, desejando que estas pessoas também recebam carinho, pois devem estar precisando.

Relendo as paginas que escrevemos, um aspecto nos chama a atenção e faz pensar. Por falarmos somente sobre as coisas boas de cada lugar, muitas vezes receamos passar a impressão que tratam-se de lugares paradisíacos, sem qualquer tipo de problemas. E pensamos até que ponto não seria bom falar também das inseguranças, mazelas sociais, da violência e dos riscos existentes em cada local. Dizer por exemplo que escapamos por pouco de ser assaltados na linha 13 do metrô de Paris. Ou que fomos roubados por motoristas de táxi em Praga e New York. Maltratados pela imigração em Lisboa. Quase agredidos por motoqueiros em Phoenix e motoristas de Albuquerque. 

Mas será mesmo preciso rememorar coisas ruins? Será necessário dizer que qualquer lugar do mundo tem sua face negativa? Será preciso lembrar que existem pessoas más ou agressivas em qualquer lugar? Alguém ainda acredita que possa existir um só lugar do mundo onde tudo e todos sejam perfeitos? Onde estejamos imunes a qualquer tipo de riscos? Não, com certeza ninguém acredita mais nisso. Estes problemas, estas notícias ruins estão todos os dias nos noticiários de televisão, nas revistas e manchetes de jornais expostas em todas as bancas de jornais e podem ser vistos e amplamente conhecidas por qualquer um, em qualquer lugar.

Mas acreditamos que notícias ruins não devem desestimular as pessoas a procurar conhecer lugares bonitos. Acreditamos que, apesar de todas as inseguranças do dia a dia, não devemos viver entrincheirados em casa, sem ir a lugar algum, abrindo mão de tantas coisas boas que estão lá fora. Assim chegamos à conclusão que também não há necessidade de escrever mais sobre as coisas ruins, pois elas já estão aí à vontade, à disposição de quem quiser. Cuidados básicos, discrição, prudência, evitar ostentações exageradas e bom senso são recomendações óbvias para um passeio bem sucedido, não importa onde se esteja, e todo mundo já sabe disso.

Decidimos portanto manter a idéia de falar somente sobre as coisas boas de cada lugar onde já estivemos. Não somos ingênuos nem cegos, nem um casal de alienados nem uma dupla de Polyanas - a personagem do conto de Eleanor Porter que via o mundo todo como um lugar cor de rosa - e muito menos pretendemos fantasiar sobre nada, mas acreditamos que é preciso saber ver o mundo com bons olhos, se pretendemos enxergar coisas bonitas.

Recebemos diversas sugestões e idéias para introduzir melhorias no site, e algumas delas tem sido muito úteis e até mesmo fundamentais. Agradecemos de coração àqueles que tanto tem contribuído com a gente. Recebemos também cobranças por não termos incluído páginas sobre esta ou aquela localidades. Mas, como já dissemos na página “perguntas freqüentes”, só incluímos fotos de lugares que já visitamos. Existem diversos outros lugares maravilhosos que gostaríamos de já ter visitado, mas infelizmente é certo que nunca chegaremos a conhecer todos os lugares belos que existem, porque o mundo é grande demais. O que podemos prometer é que, se e quando tivermos chance de visitar novos lugares, todos eles terão suas fotos incluídas no Viagens & Imagens.

Algumas destas cobranças são bastante rigorosas, considerando um absurdo ou mesmo inadmissível que esta ou aquela cidade ainda não tenha sido incluída no Viagens & Imagens. Pessoal, lembre-se, por favor, que não somos nenhum Lonely Planet ou National Geographic. Não temos uma empresa financiando nossas viagens, as despesas saem de nossos próprios bolsos, trabalhamos muito durante todo o ano e viajamos somente quando tiramos férias, portanto gente, um pouquinho de paciência, ok?

Em nossas primeiras viagens ainda não havia a idéia de coletar material adequado para um site, não viajávamos com a intenção que agora temos, de também documentar o que encontramos pelo caminho. Muitos roteiros não foram documentados como gostaríamos, o que agora cria dificuldades para elaborarmos certas páginas. Diversas localidades que já visitamos não foram incluídas no Viagens & Imagens, pois precisamos antes resgatar aquele material, digitalizar imagens e atualizar informações. Por outro lado lugares que visitamos recentemente, bem documentados, aguardam na fila a oportunidade de serem incluídos. Sentimos que o que já foi feito não chega nem perto do que ainda há por fazer no Viagens & Imagens.

Ao mesmo tempo persiste uma frustração quanto ao conteúdo do Viagens & Imagens, porque a verdade é que tudo que escrevemos ainda é pouco e insuficiente. Por mais que a gente se esforce é inviável relacionar tudo que vimos e sentimos nos lugares por onde passamos. Uma página, tenha ela 12, 15 ou 20 fotos, vídeos, fotos em alta resolução e um bom texto, sempre será, em qualquer circunstância, apenas uma tosca imagem em preto e branco de todas as belezas multicoloridas, texturas, perfumes, sensações, momentos, pessoas, ambientes, e principalmente a plenitude de vida que qualquer lugar tem a oferecer.

Mas mesmo assim, ainda que esta seja uma tarefa impossível, nós vamos continuar tentando, nem que seja somente para fornecer uma pequena amostra ou idéia daqueles locais, ao estilo daqueles restaurantes que oferecem uma prova num palitinho, para tentar convencer as pessoas a entrar e conhecer tudo que lá existe.

Até onde vai o Viagens & Imagens? Não sabemos. Nossas viagens começaram ha cerca de vinte anos e em 2013 o Viagens & Imagens completa quatorze anos. A cada dia ele nos toma mais tempo e ao mesmo tempo dá mais prazer. Cada dia conhecemos mais gente, recebemos mais mensagens de diferentes lugares, travamos novos contatos, fazemos amizades e recebemos mensagens estimulantes e inspiradoras. Temos muitos projetos, mas não sabemos quando e se algum dia eles poderão se concretizar. O que sabemos é que estas viagens tem sido uma bênção divina em nossas vidas, e enquanto Deus nos der saúde e disposição nós continuaremos perseguindo os lugares bonitos que existem no mundo.

E se você nos permite um último pensamento, o que dizemos é simplesmente Viva o dia de hoje. Não invista tudo somente no amanhã. Sem dúvida é importante planejar, poupar, projetar e construir o futuro. Mas não permita que estes planos futuros impeçam você de viver o dia de hoje. A vida está sempre passando na nossa frente, e muito rápido, portanto não fique sentado olhando pela janela, vendo ela passar. O mundo é um lugar belo, com muita coisa bonita para ser vista. Saia de casa, passeie, viaje, conheça pessoas. Se você tem uma cara metade leve-a junto. Se não tem convide um amigo, uma amiga, ou vá sozinho mesmo, se este é o seu estilo. Faça umas economias, enfrente um crediário, mas não fique preso ao dia a dia. Não espere mais. Deus criou um mundo muito bonito e você não precisa atravessar o planeta para ver coisas belas. Aquela cidade que você sempre teve vontade de conhecer não é assim tão longe. Aquele passeio que você sempre teve vontade de fazer não é assim tão caro. Saia da rotina! Passeie! Viva!

Um grande abraço,
Douglas