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Por duas vezes estivemos em Philadelphia, e ainda assim não nos sentimos íntimos com ela como gostaríamos. Não que esta seja uma cidade difícil de conhecer, mas principalmente porque ela é um lugar tão importante para a história americana, tão ligado à formação da própria nação e aos seus fatos históricos que os endereços marcantes estão em todo lugar, contando um capítulo diferente e importante da história da formação do país. Em relação à Philadelphia ainda nos sentimos como se tivéssemos lido um livro pulando alguns capítulos. Mesmo assim, o que vimos nos convenceu que tínhamos que escrever algo sobre este lugar. Banhada pelo rio Delaware, ela é bonita, tem muitas áreas verdes, prédios imponentes, agradáveis bairros residenciais, e uma vida cultural dinâmica. Philly revelou-se um ótimo destino e um passeio agradável.

   

Mesmo assim, não nos hospedamos na região central, pois Philly sofre dos mesmos males de outras cidades grandes: Hotéis caros e estacionamentos difíceis (e também caros). Preferimos ficar hospedados num espaçoso Days Inn Cherry Hill, a poucos quilômetros do centro, e todas as manhãs pegávamos o carro, atravessávamos a ponte Benjamin Franklin, vínhamos para cá e começávamos a caminhar, a melhor forma de aumentar a intimidade com qualquer lugar. E todas as vezes que atravessávamos a ponte era difícil não se impressionar com a silhueta dos prédios contra o horizonte, e todas as vezes que víamos as placas com o nome da cidade era difícil não pensar naquele conhecido queijo cremoso, e todas as vezes que chegávamos era difícil não lembrar do filme Philadelphia, com Tom Hanks.

Philadelphia tem como principal trunfo histórico ter sido o local onde tomou forma o desejo do país pela independência. Foi no histórico prédio do Independence Hall onde foram feitas a declaração de independência dos Estados Unidos e assinada sua Constituição. Também em Philadelphia está o Liberty Bell, o famoso sino rachado que simboliza a conquista da independência americana. Mas Philly não cultua somente um passado glorioso, ela é uma cidade moderna, plena de vida pelas ruas, e com muita coisa moderna para ser explorada e conhecida.

 

O núcleo central da cidade é dominado por grandes e modernos prédios comerciais e por alguns bons shoppings e hotéis de luxo. Pelas ruas do centro encontramos ainda lojas de grife e casas de comércio popular, restaurantes luxuosos e barzinhos simpáticos, fast food aos montes, praças bem tratadas e principalmente, muita gente pelas calçadas. Ou seja, Philadelphia é uma cidade de aparência normal, e com a vantagem adicional de ter suas principais atrações turísticas e marcos históricos próximos, portanto podendo ser visitados sem necessidade de se percorrer grandes distâncias. O ideal para conhecer a cidade é deixar o carro num estacionamento e sair a pé pelas ruas do centro e vizinhanças.

 

A imagem de Benjamin Franklin pintada na fachada de um prédio é uma das homenagens da cidade a um de seus filhos mais famosos. Cientista, escritor, jornalista, editor, músico, diplomata, inventor, ativista político, ele foi muitas coisas, mas o mais importante foi sem dúvida ter sido um dos fundadores deste país. Benjamin foi um ferrenho defensor das idéias republicanas, associadas à virtude das pessoas, ao civismo e a fé em Deus. Segundo ele um sistema republicano só poderia ser bem sucedido se estivesse fundamentado nestes princípios. Junto com George Washington, Franklin foi fundamental para o êxito da luta dos americanos por sua independência, assim como suas idéias foram determinantes na construção do novo país. Entre os inventos mais conhecidos de Franklin estão os óculos bifocais e o pára-raios, e entre suas imagens mais procuradas está a que acompanha a nota de 100 Dólares, conhecidas pelos americanos como Benjamins...

E já que estamos falando em nomes da história, não deixe de visitar o National Constitution Center, considerado o museu mais interativo do país. Situado bem próximo ao Liberty Bell ele é dedicado à constituição americana, e a todos os eventos e pessoas relacionados ao nascimento desta nação. 

Vídeo: Market Street

 

O prédio do City Hall é a construção mais importante da cidade, ocupando o centro histórico e geográfico de Philadelphia, além de possuir uma torre enorme, que só recentemente foi ultrapassada em altura pelos modernos prédios. A construção começou em 1871, e tinha como plano ser a estrutura mais alta do mundo. O estilo lembra muito aqueles belos castelos franceses do rio Loire, e foi erguida na forma de um quadrilátero com pátio interno. Ainda hoje o prédio serve à prefeitura. Tire algum tempo para observar a sua decoração, especialmente a estátua com 12 metros de altura de William Penn (o primeiro colonizador da cidade), situada no topo. Durante os dias úteis parte do interior do prédio está aberto à visitação, assim aproveite para conhecer também os elegantes corredores internos, o salão da City Council Chamber, e (se estiver aberto) a cúpula onde situa-se a estátua de Penn, de onde se tem uma vista ótima da cidade e do vale do rio Delaware.

Vídeo: Pátio Interno da City Hall

Prédios com arquitetura colonial são encontrados com facilidade e vale a pena explorar com calma as diversas lojinhas, livrarias, bares que se enfileiram pelas ruas. Philadelphia foi a primeira capital dos Estados Unidos e como tal teve grande destaque na vida cultural, comercial e intelectual do país. Não é de estranhar, portanto, que a cidade tenha hoje tantas livrarias e importantes centros culturais. A sexta maior cidade do país cultiva tradições colonialistas, ao mesmo tempo que orgulha-se de ter sido o berço das idéias libertárias da nação. Liberty é uma palavra encontrada em todo lugar por aqui, começando pelo famoso sino e continuando por prédios, centros comercias, ruas, lojas, restaurantes etc. Experimente, por exemplo, procurar por um restaurante ou bar "Liberty Bell" e você ficará surpreso com a quantidade de opções que irão surgir. 

 

Ao percorrer o centro, uma caminhada pela avenida Market Street será inevitável. A principal avenida da cidade funciona quase com um cartão postal deste lugar, e exibe orgulhosa, prédios modernos com fachadas de vidro e alumínio e inúmeras bandeiras americanas, que parecem estar sempre em todos os lugares. Ela é o oposto da Philadelphia tradicional, que está poucas quadras adiante. Para falar a verdade, não há tanto assim para ser visto nesta parte moderna da cidade, e ela costuma ser mais freqüentada pelos funcionários das empresas e corporações que tem escritórios nestes prédios. É preferível seguir pela paralela Walnut Street, onde a cidade tem um aspecto mais simpático e onde as pequenas lojas e restaurantes se enfileiram, como se estivessem convidando as pessoas a entrar e tomar um cafezinho.

 

Para os Estados Unidos, o sino conhecido como Liberty Bell tem um simbolismo e valor histórico únicos, pois representa os ideais que a America tem perseguido há mais de duzentos anos: Independência e liberdade. Ele é o mais importante ponto turístico da cidade, e geralmente há filas em frente ao pavilhão onde o sino fica em exibição, horários de visitação pré-determinado, folhetos informativos contando sua história e até mesmo pessoas vestidas com as mesmas roupas usadas na época em que os Estados Unidos declararam sua independência. Todos são amáveis, dão informações úteis e até mesmo posam para fotos com turistas. Aprendemos com eles que este sino foi trazido da Inglaterra em 1752 e logo depois que foi usado pela primeira vez rachou.

Os eventos que levaram à independência americana entraram para a historia com o nome de American Revolution, quando as treze colônias inglesas na América revolveram dar um basta à dominação britânica e se uniram na formação de um estado soberano. A guerra duraria sete anos e seria definida somente na batalha de Yorktown, quando americanos e seus aliados franceses derrotaram em definitivo os ingleses.

Vídeo: Visitando Liberty Bell

Nos fundo do pavilhão que abriga o famoso sino da cidade - Liberty Bell - situa-se o não menos famoso Independence Hall. A fama deste prédio de 1753 vem principalmente por ter sido aqui onde foi feita a declaração de independência do país. Tanto a declaração de independência como a constituição do país foram assinadas entre suas paredes. A torre do prédio, que originalmente abrigava o sino Liberty Bell, hoje em dia abriga uma réplica, criada em 1976, quando o país comemorou seu bicentenário. O sino original, mostrado na foto acima, está em exibição no pavilhão especialmente construído para abrigá-lo - denominado Liberty Bell Center- permitindo assim que mais pessoas pudessem apreciá-lo sem necessidade de subir a torre do Independence Hall.

Diz a tradição que suas badaladas mais famosas do Liberty Bell ocorreram no dia 7 de julho de 1776, quando foi lida para os cidadãos da Philadelphia a declaração de independência do país.

Ficamos hospedados no município vizinho de Cherry Hill, e todas as manhãs atravessávamos a ponte Benjamin Franklin, que cruza o rio Delaware, para ir passear em Philadelphia. A ponte foi concluída em 1926 e na época era a maior ponte suspensa do mundo. O rio Delaware serve como divisa entre os estados de Pennsylvania (onde situa-se Philadelphia) e New Jersey, mas na verdade pouca gente presta atenção a este detalhe, já que é muito usual aqui morar num estado e trabalhar no outro. A ponte pode ser atravessada a pé, e para quem vai de carro no sentido oeste é cobrado pedágio. Mas o principal atrativo da ponte não é ela própria e sim a bela vista que se tem do centro de Philadelphia. Existem outras três pontes ligando Philadelphia ao sul do estado de New Jersey, mas esta é a única que conduz diretamente ao centro.

Vídeo: Atravessando a Ponte Benjamin Franklin

Ao longo da Pine Street os prédios em estilo colonial alinham-se ordenadamente, e nos dão a impressão de estar passeando em alguma cidade inglesa do século 18, tornando impossível não lembrar que um dia isto tudo por aqui foi uma colônia britânica. Para conhecer um pouco mais da influência colonial da cidade, vale percorrer também Society Hill e Queen Village. Em todas os tijolos são uma constante, construídos com barro tirado das margens do rio Delaware. Algumas destas casas são abertas à visitação pública, permitindo aos turistas conhecer um pouco mais sobre o estilo arquitetônico da época. Pouca gente nas calçadas, árvores esguias, um céu cinza e um ventinho frio completavam a paisagem da América colonial que encontramos por aqui naquela manhã de abril.

 

Depois do Liberty Bell, o local histórico mais importantes de Philadelphia é Penns landing, que ganhou este nome para homenagear William Penn. Foi este inglês quem, em 1682, aportou neste mesmo local, às margens do rio Delaware, em seu navio Welcome. Até então o local era habitado quase exclusivamente por indígenas e alguns poucos holandeses. Após sua chegada outros colonos ingleses vieram, construindo residências na área que mais tarde daria origem à cidade de Philadelphia.

William Penn foi um Quaker (movimento religioso puritano, originário da Inglaterra) - em nossas cabeças sempre associado à imagem que aparece naquela tradicional caixinha de fermento em pó - responsável pela colonização não só de Philadelphia mas também de todo o estado de Pennsylvania. Em Penn's Landing estão ancorados diversas embarcações históricas, como o navio Moshulu (na imagem ao lado), construído em 1904 e que hoje funciona com restaurante. Lá também estão o submarino Becuna o cruzador Olympia, e mais algumas embarcações. Todos fazem parte do Seaport Museum, que apresenta, no prédio principal, uma variada coleção de itens relacionados à história naval. O parque que rodeia Penn's Landing também costuma, nos meses de verão, abrigar uma série de eventos públicos e estivais de música

William Penn decidiu que o nome da nova cidade deveria refletir os ideais Quakers de pureza e fraternidade. Assim, o nome foi inspirado em uma localidade citada na bíblia Quaker, formado pelas junção das palavras gregas Amor e Fraternidade. Esta junção, em inglês, deu origem ao nome Philadelphia. Ainda hoje, Philadelphia conserva o apelido de "Cidade do Amor Fraternal", embora muitos de seus moradores achem o título inadequado. Durante bastante tempo foi comum, entre as famílias de puritanos Quakers, batizarem a primeira filha de cada família com o nome Philadelphia. Atualmente, de acordo com o último censo, existem poucas mulheres no país com este nome.

Ao lado, trecho de rua comercial do centro da cidade, em manhã de chuva. O comércio de rua local é muito diversificado, e encontra-se de tudo sem precisar caminhar muito. Para compras sob o mesmo teto o endereço mais lembrado no centro é The Shops at Liberty Place, um moderno complexo empresarial e comercial muito freqüentado especialmente por quem trabalha no centro. O shopping tem uma ótima área de alimentação, que costuma encher no horário de almoço. E se você estiver de carro não deixe de visitar o maior outlet da região, o Franklin Mills Mall, situado a cerca de 25 km ao norte do centro, pedida certa para boas compras e bons preços. E entre os shopping "normais" da região recomendamos o Cherry Hill Mall e o Cheltenham Square Mall.


Vídeo: Market Street

Se em nossa primeira visita à Philadelphia o calor de um início de verão já invadia todos os espaços e nos fazia suar muito, da segunda vez era início de inverno, e o frio e o vento nos acompanharam a maior parte do tempo. Em compensação, quando finalmente o sol apareceu, jardins e flores mostraram toda sua exuberância, explodindo em cores e deixando bem claro como a cidade trata com carinho e atenção suas praças e jardins. A imagem ao lado foi feita na Rittenhouse Square, uma pracinha tão agradável e florida que merecia ter mais destaque nas publicações turísticas. Esta praça foi uma das cinco áreas verdes originalmente projetadas por William Penn no século 17, e pelo que vimos continua sendo muito bem tratada, com suas azaléias rosadas, barraquinhas com toldos brancos oferecendo delícias locais, bebês pegando sol nos carrinhos, e jovens do movimento verde distribuindo panfletos contra o aquecimento global.

Vídeo: Rittenhouse Square

Em muitos lugares dos Estados Unidos encontram-se referências à expressão "We the People". Seja no President's Hall de Disneyworld, ou em jornais, textos comerciais, fundações, rádios, coleções de livros e artigos diversos encontrados na Internet. A expressão é simplesmente o preâmbulo da constituição americana, que diz: "Nós, o Povo Americano, estabelecemos esta constituição dos Estados Unidos da América". Palavras escritas há mais de 200 anos, e que permanecem inalteradas, desde sua adoção, em 17 de setembro de 1787 pelo Congresso Constitucional ocorrido nesta mesma Philadelphia. E ao apagar das luzes de nossa segunda visita a Philadelphia saímos de lá com a convicção que, dentre os muitos atrativos locais, o que mais traz orgulho a seus habitantes é o fato desta ser a cidade onde nasceu o país e onde foi assinada sua constituição, ou em outras palavras, a cidade onde nasceu o "We the People".

 

A música desta página é Streets of Philadelphia, de Bruce Springteen Para interromper a execução clique em X (parar)

I was bruised and battered and I couldnt tell What I felt
I was unrecognizable to myself I saw my reflection in a window I didnt know
My own face Oh brother are you gonna leave me Wastin´away
On the streets of philadelphia

I walked the avenue till my legs felt like stone
I heard the voices of friends vanished and gone
At night I could hear the blood in my veins
Black and whispering as the rain
On the streets of philadelphia

 


Liberty Bell